sexta-feira, 31 de outubro de 2014









Fala-me
Traz-me o sol pelas palavras
Sê o calor que já não sinto
Uma pintura renascentista
Num piquenique à beira de um lago
Com alegres raparigas a tagarelarem
Despreocupadas
Enquanto as águas brilham reflectindo
Ramos de frondosas árvores
Barcos passeando casais
Cheios de segredos escondidos
Onde mais ninguém tem acesso

Recorda-me
Melodias esquecidas
Em jogos de crianças
Nos terreiros banhados de luz
Em terra poeirenta
Das tardes quentes de verão
Onde passávamos as nossas férias
E acabávamos deitados na erva
A observar a verdade na noite

Apazigua-me
Com as imagens
De todas as luas que visitámos
Enquanto nos descobríamos
Nas noites quentes da nossa adolescência
Procurando a verdade
Encontrando sempre a mentira

Não me fales
Deste novo som de agora
Complexo demais
Para as simples cantilenas antigas

Das palavras ásperas que aprendemos
Que não existiam na
Fantástica meninice
Onde corríamos com a brisa

As imagens que retiramos
Do quotidiano que não conseguimos
Perceber para onde foi
A antiga pintura

Teresa Durães

in "“Entre o Sono e o Sonho - Vol III - Antologia de Poesia”

3 comentários:

heretico disse...

gosto de teu "universo" poético...
e do perfume da tua poesia...


beijo

Gasolina disse...

Lembrar para sentir, recordar para não fazer de conta que Era uma vez...

Graça Pires disse...

Um poema que é uma quase prece ao sonho para que volte o tempo da inocência...
Gostei muito, Teresa.
Um beijo.