quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O silêncio do silêncio

A escuridão dissolve as paredes brancas
há silêncio no silêncio
onde as minhas mãos anseiam a ausência de gestos rotineiros.
Encosto-me e deixo-me deslizar até ao chão frio,
abandonando a pressão quotidiana.
Não quero vozes que me interrompam,
nem memórias de gente a rodear-me.
Somente o silêncio do silêncio onde me construo e sou.

As palavras surgem e desejo embebê-las,
o espaço criado,
a imaginação solta,
os mundos a descobrir que transmutam os meus passos.
cores e sons inscrevem-se
e perco-me no imaginário dos universos paralelos
que coexistem connosco
reflectindo a nossa imagem desdobrada.

in "A fadiga das ondas", Teresa Durães

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Novos livros


Lancei dois novos livros em formato digital em duas plataformas. Na realidade, de momento desisti das editoras que não promovem o autor. Por isso, vou tentar a sorte!


“O encantamento do vento”
Teresa Durães, 2019
Fantasia. 
Preço: 2,99 euros

Uma viagem pela mitologia e lendas portuguesas.
"-Conheces a lenda do Corredor? – perguntou Gutio, de repente.
Olhei-o admirada.
- Não.
- Dizem os antigos que quando uma família tem sete filhos ou sete filhas, o mais velho tem de correr o seu fado."




“O outro lado do silêncio”, 
Teresa Durães, 2019
Romance. 
Preço: 2,99 euros

“Ela tem um bar de alterne. E variações de humor como um doente bipolar mas não sabe disso. Vive consoante o seu estado de espírito, euforia, mania, queda e depressão. O Secretário de Estado, ou ex., tem uma atracção por ela. Ela prefere mulheres mas não deixa de cair no fascínio dele. Os dois, quando juntos, vão vivendo a noite e as suas vicissitudes. Entre o mundo e o silêncio ela vai conhecendo diversas mulheres e maneiras de estar na vida.”

Podem encontrá-los

Em formato .epub  em Kobo.com:

Em formato Kindle na amazon.com:

Em .pdf:
Na minha página:
http://terduraesbeco.wixsite.com/teresaduraes
ou enviem-me um email para teresa.s.duraes@gmail.com

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Rodo em torno de mim
- Tenho esta oportunidade,
serei seiva, folha caule,
não retornarei.

domingo, 18 de novembro de 2018

Criança-mulher,
passos imprecisos,
caminhos tão mal definidos
e no regaço, um mar de folhas caídas.

Foi o espaço, o tempo calado,
as palavras vãs escutadas
e todos os absurdos espalhados,
os anos dos esforços inúteis.

Envelhece a alma, mata o corpo,
consome a mente, é-se morto.
Ecos ecos ecos
grita a alma, termina o tormento.

Acabou o jogo?
Grito de agonia,
rendem-se as mãos,
é o início da loucura,
o começo do fim de tudo
onde os deuses observam
e o fado ri, por fim.

Escorro o tempo pelas notas musicais
que atravessam as memórias
indiferentes às marcas cravadas
nas pedras que me rodeiam.

Fui em tempos criança
num corpo crescido,
alheia às estações,
absorta nas folhas caídas.

Hoje não tenho aquela casa,
tão pouco as paredes caiadas,
jardim sem ervas,
espaço sem espaço.

Escorrem lágrimas sem água,
a dor que se dilui nos degraus toscos
da casa que não voltarei,
onde não estarás de novo,
agora para sempre.

sábado, 10 de novembro de 2018

Cansada


"Estou cansada,
cansada das imagens enroladas nas teias,
dos padrões interrompidos e corrompidos.
Das ruas escuras,
da fadiga das ondas sobre as rochas,
do passo à frente sem chão definido.

Onde estão os aromas a manhã,
vivos e arrojados,
relembrando que as árvores são sementes resistentes,
que a luz irrompe da negrura do espaço vazio?

Um toque,
uma valsa,
um desígnio.
Espaço preenchido pela mão cheia.
Letras dançantes cantando histórias.

Essas, as que pressentimos"

in "A fadiga das ondas", Teresa Durães

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Para ti, L.



"Sei que o sonho que tive era mais do que uma mera ilusão - tu estavas lá, à minha espera, como sempres estás. Nas minhas mãos, flores silvestres para te dar. Sempre foste contra as flores aprisionadas num jardim bem cuidado, não passam de mero adorno, sem alma presente.
Como sempre, fiquei calada ao teu lado, respirando apenas o teu odor (tão próprio) que me faz e traz todas as lembranças de nós. Das palavras que te queria dizer, nenhuma saiu. Ficaram envoltas na minha mortalidade tão aquém do tempo que te amo. Limitamo-nos a estar juntos onde fluíam todas as emoções. Juntei pedacinhos de paus, pedrinhas pequenas só para refrear o que te queria dizer. Não sei porque sou assim, sem verbos nem melodias, mãos encolhidas e receios tão antigos. Tu vais muito mais além, a tua sabedoria ainda me inquieta como se eu fosse tão frágil para necessitar sempre do teu amparo. 
Trago-te comigo em todas as viagens do quotidiano, na vela que acendo para que saibas o caminho até mim, no bosque onde nos vemos todas as noites. Nas pedras gigantes onde adormeço nos teus olhos.
Há tantos anos que nos amamos, quantos ainda temos para amar. Envio-te um beijo numa folha perdida. Será mais um recomeço da minha entrega.

Teresa Durães"


in "Três quartos de um amor", Chiado Editora