sexta-feira, 29 de abril de 2016

Deixo cair o tempo que aí vem
no regaço laço de quem bebeu
em tragos o seu fado.
Os dias foram transformados em acasos,
restos de uma longa espera,
chuva em pedaços largos.
Tenho sementes a plantar,
árvores que teimam enraizar,
um jardim a inventar.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Passo a passo vejo as memórias
nas mãos amadurecidas. Foram frutas
outrora doces colhidas numa manhã de orvalho.
Olho-as como quem vê um caminho desbravado
até à suave brisa sob as copas das árvores
 em dias de sol e carícias.
Olho-as e tornam-se jovens, de novo,
há tantos segredos guardados
esperando virem a descoberto
traçando um caminho novo.
Há floresta infindáveis
aguardando o meu gesto.
Guardo as memórias, abro a janela,
ouço o primeiro canto e sei-me completa.


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Parto numa madrugada fria em inquieta melancolia
procurando o sussurrar do vento, encontrando o silêncio.

Dizem que para além das colinas
os pássaros são brilhantes,
as árvores sussurram vozes antigas,
os prados são sorrisos de flores luzidias.

Dizem que há novos dias.

Parto em passo trôpego dos tempos cansados,
quero um sopro, uma palavra,
um cantar de afagos, 
uma mão apertada.


sábado, 2 de abril de 2016

quinta-feira, 31 de março de 2016

Estás, não estás?
Nunca estiveste,
desisti do teu amor  
deixando-me ir com os pássaros
sem conhecer outro passado.
Estás, nãos estás?
Se nunca estiveste.

És, não és?
Não serás realmente.
Medo, culpa, agonia,
não quero que estejas,
sejamos pássaros desencontrados
navegando contra o vento,

não és, não haja alento.



sexta-feira, 25 de março de 2016

sábado, 19 de março de 2016

Adeus



Foram precisas todas as horas
para destrançar o meu cabelo,
quando o teu sorriso deixou de ser vida embrionária
e as palavras, beijos e carícias.
Precisei de partir,
o meu corpo sempre foi vento selvagem
desenhado por mãos nómadas.