sábado, 1 de setembro de 2018

Acendi uma vela
dizendo-te adeus:
outrora rir-te-ias de mim,
desprezarias rituais,
a minha ligação ao mundo.

Outrora estarias aqui,
conversarias sobre tudo,
descreverias espaços onde nunca fui.

Hoje és uma lembrança
que ainda dói.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Estendo-te a minha mão
pela última vez:
é a tua última partida
e já choro por ti.


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Pousavas a voz num galho
enquanto aninhava no calor
da tua curta distância.
Éramos o vento, o entrelaçar
das folhas viçosas da primavera,
a paz do chilrear dos pássaros.

Hoje preciso de novo te procurar
entre caminhos mal desenhados,
espaços antigos de magia
onde nos víamos e amávamos,
onde éramos espaço consagrado.



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Procurei-te mas não te sei,
abandonei-te em estranhas paragens
que de mim não fez nada.
Diz-me onde estás
que de estrada farei a minha passagem
Diz-me apenas, que continuo a tua amada.


Voaram pássaros na minha janela
despedindo-se da paisagem conhecida.
Chegou a hora da ida,
larguem ninhos, libertem raízes,
soltem flores em campos floridos,
chamem as vozes das despedidas
que o meu corpo se vai por fim
gritando apelos de vida
encontrando enigmas
mas sempre mergulhando em sucalcos erguidos

sábado, 4 de agosto de 2018

Veio de novo um eco antigo
como se solucionasse
todos os sonhos perdidos.



Caiu a pedra no charco negro,
fugiram as rãs com medo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Cobre a sombra os braços
que tentam ter em suas mãos
as madrugadas veranis
onde são retidas todas as conchas
que trazem histórias de marinheiros perdidos.

Ergue-se a voz, fala o profeta,
naus foram lançadas,
pede-se a coragem.

Ergue-se a voz, tenho areia retida,
passado conquistado, maresia.
Tenho sonhos antigos, tenho a brisa.