quarta-feira, 18 de julho de 2018

Dá-me a mão agora que me vi
cruamente e tão desnecessariamente.
Dá-me a mão e não te vás
agora que choro por mim.

Não te vás e me deixes aqui,
dá-me a mão e fica por mim.
Dói e não me quero assim.
Fica comigo, diz que sim.

Dou passos cuidados. As pedras cobertas de musgo dão passagem. As árvores centenárias escondem os raios do sol. Os pássaros são os únicos a quebrar o silêncio, só a brisa desafia com o murmurar das folhas. Quero serenidade, dou três passos, quero paz, dou cinco passos, quero ser eu, e dou mais sete passos.
Uma voz suplicou
pensando ser ouvida
por quem foi nascida.
Repetiu-se o ciclo
entre pedir e dar
e de novo perdeu.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

As estrelas há muito ocupam espaço no céu. Ao longe, o som de animais noturnos.

- Nunca percebi porque dizem que a noite é silenciosa, dizia uma amiga minha enquanto fumávamos calmamente um cigarro.

Não está calor mas é verão. Já choveu, sim. Aqui não há animais noturnos nem campo nem árvores mas é verão e é preciso ir à praia e conviver e rir e lembrar a toda a hora que é verão e no verão nada é sério.

domingo, 1 de julho de 2018

Ontem rezei ao amanhecer. Não sei a que Deus apelei, sei que te queria sentir. Mas o espaço devolveu-me o cantar triste da solidão.
Sei que não devia sentir o que sinto. Dizes-me - nunca te abandonei. Dizes que as conversas das árvores são ecos da nossa existência. Que uma vela é o teu olhar. A brisa que corre, uma carícia. E as minhas mãos tão sós.

sábado, 23 de junho de 2018

O sol aquecia quando te procurei nas ondas. Sei que estarias lá envolvendo-me no primeiro mergulho do ano. O sal na boca, a dormência no corpo e tu, tu, ao meu lado aquecendo palavras num sopro profundo. Tu, sempre ali, mostrando-me movimentos que atingem a lua em dias de luz.

E dei-te a mão, estendi-ta em rendição.