segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Quis de ti o que não davas quando não era a ti que te queria. Histórias antigas. Uma voz que pensava estar na noite dos dias lentos, um sopro desesperado que precisava. Não me deste os braços para neles me esconder. Mas nem eram esses que procurava.

Respiro aqueles campos verdejantes, sinto o pulsar da terra e nela quero mergulhar. Tão próxima de ti.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cantas água,
falas em sussurro,
envolves-me em ramos,
respiro por ti.

E por ti espero.



Fala-me
de vozes antigas
que vibram no silêncio,
folhas em movimento,
eterno segredo.

Fala-me de hoje,
fonte ressequida,
longe da vida,
caos em ressurreição.

Fala-me antes
do vento veloz
que me leva a voz,
recorte do que sou,
tudo o que ficou.

Fala-me, fala-me,
voz vizinha que escuto,
presente passado futuro,
dás-me tanto, tudo,
solta o que está obscuro,
esperarei por ti sempre,
nas longas horas,
momentos incertos,
desconhecido destino.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

É tarde, é cedo. Os pássaros ainda dormem e eu estou de vigília. Sei que não posso estar acordada, vai ser um segredo meu.


É cedo, o silêncio impera, tenho a madrugada para mim e vivê-la é um momento. Que sou. Que estou. Essências que não são garantidas. Como nada o é.

É tarde e tento curar-me da ferida que fui outrora. Eu que sonhei tanto!

É cedo para dizer que é tarde. Mas é tarde.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Quietas as madrugadas que me despertam. Há no silêncio a minha voz, as imagens que vejo e revejo, um sopro de vida. Uma pétala tímida. Uma raiz que inventa a terra.

Há o olhar distante de quem tenta deslindar os mistérios.

Dou três passos, avanço. Cautelosamente. Para que o vento não ouça.

Tenho sofreguidão de goles de harmonias.
Esvoaçaram as aves
escutando o frio
que vem entrelaçado
nos raios desmaiados.

É tempo de recolha,
a noite esconde as silhuetas.

É tempo dos poetas acordarem.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Acreditei nos pássaros quando voaram em círculo por cima do pinheiro manso que plantara. Um bom augúrio, uma dávida dos Deuses. O vento soprava de norte, o sol estava no seu apogeu, estávamos no início de mais um ciclo.

Todas as noites acendia uma vela para que me lembrasse dos tempos que viriam. Casaria com o homem que amava e iria viver com ele para terras distantes.

Ninguém esperava a guerra que estalara, talvez  a leitura do voo das aves tenha sido descuidada, os padrões ignorados.

Fiquei com a vida em suspense. Era impossível deslocar-me com tamanha carnifícia, sobreviver era um acto heróico.

A minha vela permanecia acesa. Cada dia com mais intensidade.