segunda-feira, 31 de Março de 2014

Cansada



Estou cansada,
cansada das imagens enroladas nas teias,
dos padrões interrompidos e corrompidos.
Das ruas escuras,
da fadiga das ondas sobre as rochas,
do passo à frente sem chão definido.

Onde estão os aromas a manhã,
vivos e arrojados,
relembrando que as árvores são sementes resistentes,
que a luz irrompe da negrura do espaço vazio?

Um toque,
uma valsa,
um desígnio.
Espaço preenchido pela mão cheia.
Letras dançantes cantando histórias.

Essas, as que pressentimos


in "A fadiga das ondas"

terça-feira, 18 de Março de 2014


[Miró] 





A folha que cresce,
braços abertos para o vento,
a distância do mundo.
O toque no céu,
pétalas que embrulham os campos,
passos sem seguro,
a luz entre os dedos.

O ramo finamente enlaçado,
a aragem que não corre,
o salto disforme,
o assombro do tombo.

O tronco delgado de quem já perdeu o sagrado,
deixa-se ir na condição,

não há permissão.





quinta-feira, 13 de Março de 2014


[Rene Magritte]




O sol ardente na pele,
a pele que cobre a fragilidade,
mãos inseguras procurando estabilidade.
Indefinição da vontade,
o toque na água procurando a vontade.

Foge o caminho,
pássaros sentem-se perdidos.
A copa das árvores recolhida,
onde abrigará a alma fugidia?

Perdida a infância,
a vivência esquecida,
tolhem as raízes.

Tenta um rasgo,
tornar-se menina-vida.
Sente um torpor,

efémera fantasia.

quarta-feira, 12 de Março de 2014



As cores desmaiadas nas manhãs incertas
os caminhos indefinidos de quem tanto procura.
E salto, agarro, rasgo, nada me impedirá de ser

planície aberta,
caminho rasgado,
vento livre
espaço conquistado

na fantasia,
barcos velozes,
asas livres,
águas navegáveis.






Olhos tristes de quem não vê os pássaros,
a mão descaída em renúncia.
Esqueceste o brilho dos teus olhos,
a suavidade do teu andar,
a gargalhada livre.

São só nuvens que o vento dissipará,
pedaços de carvão que darão
a fogueira para aqueceres.


Não deixes o negro negro desamparar a minha mão.

domingo, 9 de Março de 2014



Gotas que inundam o pátio,
gretas no muro intransponível.
Saltos rasos marchando no desconhecido.

Sopram pétalas com mensagens escondidas,
gato esgueirando-se do lambril.
Tolas as loucas, pestanas
perdidas na realidade inquietante.

A pele desnudada esperando ventos longínquos,
surdo, mudo, fim de razão.

sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2014

Fabian Perez 



Saem surdas as palavras,
desnudadas de sentido,
perdidas em tempos esquecidos.

Perdem-se pássaros em voos rasos,
esquecem-se molhos de abraços.

Caem lágrimas sem sentido,
escorrem tempos indefinidos,
as minhas mãos colhem o vazio