segunda-feira, 27 de abril de 2015



É pela brisa morna da tarde
que o teu olhar não vem.
Sussurro magia para ir ao encontro do teu vale de lírios
esperando que as tuas manhãs amanheçam em pálidas cores.
Desvio o véu das palavras para nos tocarmos, 
quero a tua voz cheia de sabres e brisas primaveris.




[Dali]




Um toque de luz derramada sobre os meus dedos
cerrados em tranquilo desassossego
de gotículas de desespero
que caem suavemente
em toque permanente
num chão sôfrego de alimento.
Estendem-se planícies lânguidas
de breve tormento
rumando a um novelo de anseio.



quinta-feira, 23 de abril de 2015





As raízes que sugam o muro
espalharam verbos baralhados
em catarse criada
como se não houvesse mais nada.
E descansaram no fim.





Estás, não estás,
voz no silêncio que vem despertar a noite,
verbo que a medo se esconde.
Onde estás,
não sei onde, não sei onde,
escorre o rio, miro o horizonte,
palavras doces,
estás, não estás,
talvez longe, talvez longe.




terça-feira, 21 de abril de 2015

Adeus




Folhas de árvores de inverno
dos teus lábios me despeço
teimam os galhos estenderem-se
sem quebra nem interregno
regra-me a vida uma fraca sepultura
onde reflicto, onde pondero .

Teima a vida ser contínua
em eclipses mal formadas
desprendo-me do teu abraço
envolve-me ao largo o espaço




sexta-feira, 17 de abril de 2015




Falo num salto entre nós
nas madrugadas que não cumprimos
onde resta o abraço sem lágrimas
vidas a serem consumadas
nas altas e tardias madrugadas
que restaram além de mim

Digo-te um hiato de espaço entre os dedos
tamanho caminho que nos aparta
em tempos de paz declarada
seremos um passado sem fala


segunda-feira, 13 de abril de 2015


[Klee]




Falo-te de longe sem glória
procurando os teus olhos que demoram a acontecer,
adormeço na tua mão entregando a minha vitória,
aquieto a madrugada, necessito de renascer .

Em tempos de demora
foram os verbos de outrora
abraço-te sem me desdizer
almejo acontecer