quarta-feira, 21 de setembro de 2016






O teu rosto apareceu pela noite. Tenho tantos novelos desgarrados que suspiram pela libertação. Fossem as asas firmes, o vento, um caminho. Fosse a rapariga de outrora que comungava com as pedras. Mas o meu corpo traiu-me, as mãos quedaram, o tronco vergou com as violentas rajadas dos dias consumados. Talvez  um dia seja pedra perdida num monte sentido a força da terra, sabendo que nada é imutável.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

[Dali]




Um dia regressarei aos teus braços onde sou feliz.


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Abro as asas e os anos devoram-se
num infinito movimento.  Reaprendi
as formas e distanciei-me das sombras.
Hoje os meus olhos estão mais límpidos
que outrora quando navegava nos novelos
dourados de construções falsas.
Fecho as asas e sereno.
Agradeço aos Deuses antigos.
Respiro as folhas das árvores,
os padrões voltam a brilhar. 


Fala-me
dos dias ensoleirados,
do tempo bem ensaiado
onde te escondes e vives.
Fala-me de controvérsias
onde o errado está certo,
onde por ti me perco
em dias tão destemidos.
Diz-me que me queres,
fonte segura do meu afeto,
segredo bem secreto.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Cresceste onde o vento te via,
correste prados verdejantes
enquanto alguém te esquecia.
Caminhaste abismos desconcertantes
pensaste que não eram relevantes
e caíste numa madrugada fria.
No fundo, fundo
pouco ou nada existia:
- Temperos parcos, balcões vazios.
Bracejaste e nada conseguiste.
Arrancaram-te desse torpor,
explicaram a tua vida,
Tens em mãos esse terror
de duas grandes medidas.
Entre revoltas e quedas
tentaste erguer
caindo em seguida.
Cantam os pássaros num novo dia,
escutam-se os Deuses antigos,
há sombras escondidas,
reflexos do sol onde há vida.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

As mãos não acordam
para o silêncio dos dias
levando consigo pedaços
de pétalas prenhes de histórias.
Corre o rio sem barqueiros,
deslizam as margens pedindo
a sinfonia do retorno.
Corre o corpo sem alcançar
a certeza das rochas.
Corre, corre, corre
enquanto o dia finda.


sábado, 11 de junho de 2016

Ouço o cantar da madrugada
enquanto os pássaros matutinos
fazem-se anunciar.
Há no sabor da noite vozes antigas
que guiam o movimento das mãos.
Há no sorriso paz.