quarta-feira, 22 de Outubro de 2014


[Dali]








Odor a dor,
impotência nos rituais certeiros,
levanta o muro, levanta o cerco,
corre corre, teme temendo,
foge do quotidiano, há hostilidade no vento,
rajadas de partículas contraditórias,
saque do ego sem glória, 
em paisagens subterrâneas, curvas desconexas
numa linha só.



quarta-feira, 15 de Outubro de 2014






De tão longe que estás,
morrem lentamente os dedos que outrora te dava,
nesse tempo de palavras fáceis
que trocávamos quando as estrelas chegavam e o vento abrandava.

Porque era sempre assim, como as árvores que cresciam firmemente ano após ano.

Sei que sou um Teixo-Mulher,
solitário de folhas venenosas,
esbarrado nas profundezas de quaisquer memórias.

Quero reaver-te
mesmo tendo de barganhar a minha não-existência.





sábado, 11 de Outubro de 2014





* Deusa dos Olhos do Sol, placas de xisto gravadas da região de Évora



Hoje sou o nada preenchido
do vazio ridículo que nos cai sobre as mãos.
Sem pétalas, sem gotículas de humidade,
sem tão pouco a brisa que contorna o rosto,
máscara branca sobre branco
onde se perdem as dimensões
transformando-nos paredes inexistentes.

Não há esquecimento,
nunca o há,
a tábua rasa desconhece o ponto quente
que a marca lentamente.

Esses orifícios?   

Deusa dos Olhos do Sol que me protegem
enquanto o assento não é assentado




quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

[Dali]




Silenciosos cânticos longínquos,
balas perdidas em pacificação furtiva,
desvio do interior que já vai sem asas.

Madrugadas vazias sem esplendor
em cores desvanecidas.




terça-feira, 7 de Outubro de 2014






Salto no espaço, o vazio como abraço,
palavras atiradas ao acaso.
 O corpo cansado dos gestos repetitivos,
venham afagos, venham desígnios.
 
 


quinta-feira, 25 de Setembro de 2014


[Amadeo de Souza-Cardoso]




Gotas de humidade espalhavam-se no chão.
Não havia estrelas,
os teus olhos passaram a carvão,
fuligem que me manchou as mãos,
corpo que se rasgou nas imagens destorcidas.

Era o tempo da minha ressurreição,
da derradeira libertação,
do resgate dos dedos para compor melodias.

Mas não compreendeste,
não viste a minha mente devorada em relâmpagos
em dias de trovoadas infinitas.
Não viste,
Nunca viste e eu sabia.
Nem tão pouco o branco sufocando-me,
as balas perdidas dilacerando árvores antigas.

De novo as sombras nos cartazes erguidos
sem descanso nem término.






sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Ao meu filho

Uma pessoa muito especial de quem tenho tantas saudades