segunda-feira, 21 de outubro de 2019




Ontem esqueci-me do amanhã, apanhei marmelos, cozinhei-os e fiz marmelada para uma época. Não sei se esse tempo existirá, mas o frigorífico estará cheio para quem queira me visitar. Falo com os meus filhos como se todos os amanhãs existissem, provavelmente teremos mais vinte anos, eu serei velha, eles não, os bebés de hoje pouca idade terão. Ninguém se importa, talvez nem eu devesse, talvez ignorasse e vivesse o mais simplesmente que conseguisse, apagar as notícias, ignorar os apelos, ignorar tudo o que é tenebroso e viver uma vida simples. Provavelmente o farei, não consigo lutar contra um mundo ignorante ou que o prefere assim, talvez devesse cultivar a minha alface, as minhas árvores de fruta e esperasse sentada as intempéries. Algo em mim não me deixa e penso, porque te desgastas? Dorme, vive como os outros, adormece os dias e eles passarão, talvez nem nada aconteça na tua vida, somente nas dos teus filhos.

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