quarta-feira, 30 de outubro de 2019







Deste-me a mão talvez com medo de a perder. Deixei que os teus dedos se encostassem aos meus, era um encontro nosso, um encontro íntimo no meio da multidão, mas o que tinha para te dar não era o encontro das nossas mãos no meio da multidão. Queria-te mostrar o miradouro de Santa Catarina onde talvez visses o que os meus olhos veem ou talvez fosse eu que não te compreendesse. Como poderia saber quem está em falta? Eu, pela falta da realidade ou tu por não veres os meus universos? Mas continuámos de mãos dadas como se nada acontecesse, como se a vida fosse resumida àquele contacto ínfimo e perguntei a mim mesma se seria o suficiente este lapso de tempo em que nos encontrávamos. Porque gostava do teu ombro e do teu silêncio mas também amo a floresta mais do que a cidade no fim do seu dia. 

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