segunda-feira, 13 de abril de 2020


O que seremos depois disto?

O povo português tem se transformado, quer queiramos, quer não, onde havia hospitalidade passou a haver possibilidade de lucro. Todos queremos melhorar a nossa vida, não condeno ninguém, talvez a ganancia desmedida, nada mais. Agora que não se pode cumprimentar uma pessoa nem nos próximos tempos, agora que temos de desconfiar uns dos outros, agora que a tosse significa uma calamidade, agora que um aperto de mão é um mau augúrio, agora que os grandes grupos não sabem o que é solidariedade e só pretendem riqueza, no que se vai tornar o povo português?

O povo português vai voltar ao tempo da miséria, ao tempo do desemprego, dos pobres que ninguém poderá ajudar porque simplesmente ninguém terá coo o fazer. Muitos já lucram com isto, em todas as guerras assim o é. O que vamos aprender?

Não vamos aprender nada, vamos aprender a sobreviver apenas nos moldes da Europa Central que incluem fábricas, poluição, mas emprego e ordenado. Vamos aprender a viver com muito pouco porque temos contas a pagar, filhos a sustentar.

O que aprendemos para ajudar o ambiente? Aprendemos que o ser humano está a mais na cadeia da vida.

sexta-feira, 3 de abril de 2020







"- Frecha, toda a magia tem um preço, sabes disso. Tens a certeza que queres pagar esse preço?
As lágrimas escorreram-me pelos olhos e assenti.
Runa desapareceu por uns tempos, regressou com umas plantas que desconhecia e água, delas fez uma papa, dissolveu-as e obrigou o guerreiro a bebê-la.
- Ele vai ficar bom, Frecha – Disse Runa – Por maior amor que tenho por ti, e tenho, não poderei repetir o que hoje me pediste nem numa situação de emergência. Consegues compreender isso?"


O meu novro livro da série "Os castros", #3. Gratuito em 



Tenho todos os dados na mão e nenhum viciado, tenho o preto e branco e muitas recomendações. Tenho imensas alterações, tenho uma vida como a de tantos, tenho-me distante, tenho-me acompanhada, tanto e tão pouco para dizer, tanto a sentir, tanto a ser. Os dias correm velozes, atropelam-se, esmagam-se, enganam-me. Tenho paz, tenho intranquilidade, tenho tanto de tanto. E no remoinho da vida, aquela que espreita pela minha janela e me faz pensar nela, aquela que está lá fora na sua quietude esperando o desenvolvimento acontecer. Tenho pena de todas as árvores e de todos os animais que abrigam, não, vão de novo ficar em perigo porque somos uma praga que não será exterminada.

quinta-feira, 2 de abril de 2020


Ontem vi um horizonte, nele sonhei grifos, sonhei um Tejo que não finda, sonhei todas as cores, sonhei uma imensidão. Há na incerteza a angústia, mas por tantas incertezas passei, a angústia tornou-se uma personagem da minha vida. E com ela também o riso, a tristeza, a confusão. Dizem, não é fácil ser-se depressivo, digo, não o sou, antes bipolar, viajo por todos os mundos e por eles todos tenho de ter cautela porque a sociedade não está preparada para gente como eu, eu que levo uma vida perfeitamente normal, mas também sou impulsiva, agressiva, desconcertante para vós, as minhas árvores e os meus cães aceitam-me, vós não. Veio um vírus, ficaram confinados em casa, veio um terror, vós que não estão habituados a terem a mente travada. E neste mundo louco sinto-me sã, vós não. Vós que tinham as certezas perderam-se, eu tenho os meus fantasmas que vivem em todos os estados, eu tenho-me, eu existo, eu revivo todos os momentos. Mas condenam-me, os médicos, os outros. Agora em casa, quem o faz? Quem são os loucos? Eu não, eu respiro, eu falo com quem quero, árvores, ervas daninhas, cães e gatos e sou, respiro e vivo e digo a todos vós, não me aceitaram, quem é louco agora?






Abraço-te intensamente. A noite está no seu término, em breve serás apenas uma recordação.
Deito-me espreitando o teto. Talvez já tenha vivido muitas vidas diferentes e chegou a hora de vestir uma pele. Talvez continue desapegada.



Gratuito
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quarta-feira, 1 de abril de 2020


Ouve-se de longe os pássaros a cantar, a natureza a renascer, ouve-se um planeta a respirar porque estamos em casa e as fábricas findaram. No entanto, no meu egoísmo, não ouviram os meus.


(O meu mano infetado)




(a minha filha desesperada a pensar que lhe roubaram a vida)













Ouvi toda a gente, ouvi os aflitos, os sãos, ouvi os conformados. Mas também ouvi os meus, ouvi quem era para ouvir, eu que estou segura e não posso apoiar quem queria. Eu que estou aqui longe de tudo, longe da desgraça, longe da pandemia. Ouvi e queria ser, mas hoje não podemos ser, temos de ser amorfos, tábuas de indiferença, infiltrar-nos pela chuva, usar luvas, usar máscaras, desconfiar quem atrás de nós está, esperar que os nosso se curem e esperar que pelo menos  a natureza se regenere. Que aja algo positivo nisto porque não me importo de morrer sabendo que o planeta vai respirar de novo, vai reviver, vai renascer. E morrer de faltar de ar deve ser algo horrível e queria que o meu sacrifício não fosse em vão, mas não acredito na humanidade porque apenas está preocupada com a economia.

( o meu irmão está infectado e ao fim de 8 dias teve uma chamada de um médico, a minha filha tem 22 anos, preparava-se para a faculdade de Desporto, não entende como o seu futuro foi comprometido, andamos todos ao acaso, os mais jovens sentem-se traídos pela vida, os mais velhos não respeitam as normas, os do meio têm de trabalhar ou cuidar dos seus. E no fim disto tudo ninguém entende uma guerra contra um inimigo invisível. Irritamo-nos, somos humanos, somos gente e dizem, fiquem em casa, ficamos, mas também desesperamos)