segunda-feira, 2 de março de 2020



Estou a ficar louca e não sei, vejo flores a dançar e não é o tempo delas, vejo árvores a cantar e não há coro para elas, vejo ervas entrelaçadas a fazerem uma carpete para a minha sala, vejo andorinhas fora de época e penso, onde estou, em que planeta fui parar, que distância percorri porque nada do que vejo é real, somente as raposas sabem a minha triste realidade e escondem-se dos Homens com medo da sua extinção.


[Isabel Magalhães]

De repente a música rebenta com o quotidiano desenhando palavras que gritam nas paredes brancas,
- Vem,
alicia-me e eu vou por túneis escondidos, vou sem saber para onde, vou numa louca procura pelos caminhos escondidos que nos dão a magia que me está a faltar, vou desesperada porque o céu está negro e preciso de bosques, de castanheiros, de erva nunca antes tocada. E danço, danço desenfreada, a insânia toma-me, a vida toma-me, os Deuses tocam-me e quero-me assim até estar saciada.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020




Só um gesto, uma palavra e de repente ela não foi embora e sempre esteve comigo mesmo no tempo do frio, quando a janela aberta deixava-o entrar pela noite e os animais noturnos trocavam impressões entre si. Não, nessa altura estavas distante a aprender que nos tínhamos separado, tu explorando a tua essência enquanto o meu corpo renascia num ambiente que não era o seu e todos os dias aprendia e aprendia tanto sobre si. O bom, o mau. Tudo, essa grande dimensão que é voltar a viver, voltar a ser, poder voar e o fazer.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

sábado, 15 de fevereiro de 2020


[Klee]

Um dia um dos Deuses dar-nos-á as mãos e retirar-nos-á uma parte de nós mesmos entregando-nos um segredo escondido, tão escondido que sementeiras passarão sem que as flores apareçam. Mas desse segredo virá uma outra paisagem, tão diferente, tão completa como a primeira e tão difícil de pintar como todas elas o são.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020


[Dali]

Não sei onde se fecham as portas, sei de infernos que subitamente aparecem, mas também se vão. Sei de flores que crescem, botões que resistem, sei de um céu que permanece mesmo nas alturas em que os meus olhos escureciam e não acreditavam que para além das nuvens existem rastos de raios. Nem sempre as linhas são certas e certo é o presente que nos engana, não há fio de prumo que nos leve de bruços, somente descidas tempestuosas e a espera prolonga-se até o céu clarear mesmo que demore anos a acontecer.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020


[Dali]

Onde as flores despontam, onde as ervas vingam, onde as oliveiras respiram encontro-te uma e outra vez. Tem os olhos escondidos por entre as folhas prateadas, os ramos finos que escondem o teu corpo. Vigias-me sorrateiramente como amante sempre presente, sinto o teu calor na pequena brisa que vem ao meu encontro. Não preciso de te ver para sentir as tuas mãos nas minhas, a pele retém a memória, os lábios estão quentes e os meus passos são apressados sempre que percorro o caminho porque sei que lá estarás.

À noite, quando as estrelas estão escondidas nas brumas do inverno, quando a minha vela acende por ti, a chama treme ligeiramente. São as paredes brancas a anunciar a tua sombra.