- Sou nova nisto.
A mulher nada disse, colocou seis pés de couve-galega num
saco pequeno.
- Estas chegam? – Perguntou admirada.
Eram mais do que alguma vez plantara. Se pegassem, se
crescessem já ficaria feliz.
- Sim. Tem enxadas?
Fui atrás dela, o armazém era um local quase místico cheio
de produtos que desconhecia como se utilizavam, um templo para entrar na natureza.
- Tem de ser uma leve, não tenho muita força.
De novo a mulher não comentou, nem queria saber o que
estaria a pensar de mim. Tinha estado a manhã a abrir um rego para semear ervilhas, tão pequeno, com
uma enxada dos homens das obras, grande, pesada, os meus
braços ainda sentiam.
- Que tal esta? – Perguntou-me enquanto mostrava uma mais
maneirinha.
- Está ótima. Tem sementes de ervilha?
- Quais quer?
Disse-me três variedades, afinal não me tinha instruído completamente
na internet.
- … e tem as rasteiras.
- Levo essas. – Declarei, não tinha ouvido nada acerca das
outras. – Também preciso de adubo.
Paguei, saí com as minhas compras e fui para casa.
O pacote das sementes não era como os dos supermercados,
abra, ponha no micro-ondas durante cinco minutos e já está, não, tentei
relembrar o vídeo que tinha visto. Cinquenta anos de cidade dava nisto, ainda
bem que aprendera em miúda, na quinta dos meus avós, a trabalhar com a enxada.
Fui encarar o rego, as plantas no saco, o adubo, as
sementes. Estava de luvas, nem as minhas mãos eram adequadas para aquele
trabalho. Tinha de começar por algum lado. E comecei, comecei pensando que não
sabia se a maravilha da natureza se iria dar, coloquei as sementes, o adubo e tapei
tudo, abri um buraco para cada pé da couve-galega, juntei adubo e no fim olhei
de novo. Seria aquilo? Misture tudo e junte água? Talvez na primavera
descobrirei.





