[Dali]
Olho em redor, queria não ver a loucura humana, vejo-a em
todo lado, grito, quero salvar os meus filhos, grito, deixem-me em paz. Mas paz
não tenho, ponho música nos ouvidos, talvez consiga voar para longe, ser livre,
alcançar o sossego dos mundos por desbravar. Digo e repito, porque não me
deixam em paz, desliguem a televisão, desliguem o mundo, desliguem a
imbecilidade que me rodeia, não, não sou especial, sofro com isto e não quero,
quero heróis e heróis não existem, quero luta e luta não existe, quero ser e
ser não posso.
Digo, deixem-me, deixem os meus filhos, deixem-nos viver, o
que se passa convosco que se entregaram à loucura e não reconhecem o nascer do
sol? Perderam a noção neste vaivém de desinformação, neste consumismo que
consome a vida.
Digo, porquê? Digo, porque não param para pensar? E sim,
digo, engolem a existência, a coerência e sim digo, digo cem mil vezes, levarão
a minha vida sem importância, mas tragarão os meus e essas não perdoarei.






