[Tela de Silvestre Raposo]
Hoje
voei pelo campo, apanhei bagas e descansei num tronco de uma árvore. Foi um voo
afoito, procuram por mim os caçadores, os rapazes com as fisgas, os loucos.
Tenho as madrugadas para ser livre enquanto os Homens dormem, enquanto a natureza
respira. Não sei quando isto começou, perde-se a memória nas fugas, nos
esconderijos, na sobrevivência. Amanhã recomeçará tudo de novo, a espera, a
incerteza, o medo. Preciso de continuar para sobreviver, esconder-me, procurar,
não sei quanto tempo aguentarei, estou só, estou escondida.





