segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Cai a primeira chuva
varrendo da memória
os dias soalheiros.

Talvez encontre
o meu primeiro abraço
repleto de folhas caídas
entre raízes estendidas.

Talvez o primeiro beijo
entre luz oblíqua,
enquanto a chuva espera
e a floresta escuta.

Talvez amanhã seja o dia
onde mãos se conheçam
e reconheçam as carícias.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Vence a dor sobre o corpo,
dobra a coluna em sofrimento,
pede a alma discernimento,
alcança pouca paz em consentimento.

Dias que passam,
ventos que sopram,
corre a água,
nada volta.

Fragilidade na brisa,
marés indevidas
Rasga a pele, o osso, a carne,
rasga o sopro da vida.
Rasga prados de flores,
mantém tronco erguido.

sábado, 1 de setembro de 2018

Acendi uma vela
dizendo-te adeus:
outrora rir-te-ias de mim,
desprezarias rituais,
a minha ligação ao mundo.

Outrora estarias aqui,
conversarias sobre tudo,
descreverias espaços onde nunca fui.

Hoje és uma lembrança
que ainda dói.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Estendo-te a minha mão
pela última vez:
é a tua última partida
e já choro por ti.


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Pousavas a voz num galho
enquanto aninhava no calor
da tua curta distância.
Éramos o vento, o entrelaçar
das folhas viçosas da primavera,
a paz do chilrear dos pássaros.

Hoje preciso de novo te procurar
entre caminhos mal desenhados,
espaços antigos de magia
onde nos víamos e amávamos,
onde éramos espaço consagrado.



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Procurei-te mas não te sei,
abandonei-te em estranhas paragens
que de mim não fez nada.
Diz-me onde estás
que de estrada farei a minha passagem
Diz-me apenas, que continuo a tua amada.