quarta-feira, 13 de junho de 2018

Consegui pegar na tua mão. Não te sei dizer como tive coragem. Segurei-a até perder a razão de a reter.

Em ti crescem flores, estendem-se ramos e no teu abraço encontro as melodias a crescerem.

in "O sopro", Teresa Durães
Conheci-te criança. Ombros fortes, olhos castanhos, cabelo rebelde. Ficaste nos livros de infância, rascunhos em voz destemida. E cresci.

Renasci entre as árvores de Sintra, escalei pedras imutáveis e encontrei-te de novo.

Foste porto de encontro, água macia, fogo quente. E vivi-te intensamente.

in "O sopro", Teresa Durães
Hoje soprei-te flores silvestres, odor a maré baixa, casca roubada a um tronco de árvore. E tu vieste, vieste como sempre te vi. Olhos escuros, capa a cobrir-te o rosto.

Hoje quis-te aqui, construí um círculo em volta das flores e esperei.

in "O sopro", Teresa Durães



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Ouço o vento e sei onde quero estar. Ao longe o mar revela a sua fúria, há humidade por todo o lado. Há presença, palavras firmes de uma fé antiga.

Não existe força maior do que o apelo ao nosso fado. Onde guitarras soltam acordes de saudade.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Um dia anunciaste a tua vinda: preparei o jantar como se fosse mais um dia na nossa vida.
"Não reconheceste o voo da águia, fugiste, por onde andas?

Voltei a sonhar furiosamente: o ar carregado de sal, as ondas impediosas, o vento a gritar.

"Não serei uma onda perdida na margem de uma praia qualquer. Soprarei para longe a espuma das águas revoltas,

quinta-feira, 7 de junho de 2018

-Quem és? - nunca respondeste. Sorrias como se as flores silvestre que me deste fossem todas as respostas. Liberdade, diziam os teus olhos. Um voo alto. Um sopro primaveril. A música das folhas de um castanheiro, quando a brisa acaricia a copa.

in "O sopro", Teresa Durães

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Não era tarde quando te encontrei. As flores selvagens persistiam em adocicar o ar. Estávamos somente os dois. Nós e as árvores centenárias. E fontes de energia no ar.
-  Quem és?
Não houve resposta.

"- Dá cá a chave!
- Dá-me a chave se faz favor - e o gigante de pedra abriu a mão e deu-lhe a chave"

Outrora confiava, disse-te. Outrora era outra, mão dada com a fantasia.

- Posso ter a chave?

in "O sopro", Teresa Durães