quinta-feira, 7 de junho de 2018

-Quem és? - nunca respondeste. Sorrias como se as flores silvestre que me deste fossem todas as respostas. Liberdade, diziam os teus olhos. Um voo alto. Um sopro primaveril. A música das folhas de um castanheiro, quando a brisa acaricia a copa.

in "O sopro", Teresa Durães

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Não era tarde quando te encontrei. As flores selvagens persistiam em adocicar o ar. Estávamos somente os dois. Nós e as árvores centenárias. E fontes de energia no ar.
-  Quem és?
Não houve resposta.

"- Dá cá a chave!
- Dá-me a chave se faz favor - e o gigante de pedra abriu a mão e deu-lhe a chave"

Outrora confiava, disse-te. Outrora era outra, mão dada com a fantasia.

- Posso ter a chave?

in "O sopro", Teresa Durães

sábado, 2 de junho de 2018

Abraço-te intensamente. A noite está no seu término, em breve serás apenas uma recordação. Deito-me espreitando o teto. Talvez já tenha vivido muitas vidas diferentes e chegou a hora de vestir uma pele. Talvez continue desapegada. Talvez os meus passos já tenham escolhido caminho na direção de um novo vento.

in "O sopro", Teresa Durães

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Escuto as tuas mãos,
dás-me flores bravias,
um novo dia.
Perdi o caminho escolhido enquanto fui nascente, água corrente. Queria ter visto o teu rosto na margem adjacente. Roubo um minuto de fantasia e entrego-me aos teus braços. Conta-me mentiras, sussurra melodias.
Segue o seguinte, amostra do existente, estamos decadentes, varremos ruas e continua a dormência.

Sobrevive, existe, completa-te. Raiva resistente. Vai em frente. Só, destino ausente. Mas vai em frente.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Acreditei, sonhando espuma do mar, que estavas para mim como o sal das gotas de água que o oceano espalha. Errei, fui levada pelas ondas que afinal não são tuas.

Levantei-me, gelada, sentindo a violência de todas as manhãs. O abraço da solidão sufocou as paredes brancas ainda para serem preenchidas.