segunda-feira, 20 de março de 2017

Hoje parti-te em mil bocados
não que tenhas notado,
para que deixasse de ouvir
esses pedaços mal acabados.

Vi-te? Senti-te?
Que importa o mal passado,
o tempo destronado,
o lugar desocupado.

Não fui poque não era,
houvessem linhas
para te falar no passado,
no tempo das cotovias
no tempo acabado.

Tens dor, dizes
sofre o poeta,
esconde-se o romancista,
encolhe a voz
para quem faz sinfonia.

Vivi meio mundo,
outro terá de esperar.
Vi-te? Senti-te?
Não para explorar.


Dispo a minha sombra,
é sempre incómodo ver-me
com a escuridão a esconder-me os olhos.

É sempre desgatante
sermos os mesmos.

É alarmante necessitarmos da sombra

domingo, 19 de março de 2017

Somos um fruto inacabado,
ausência de luz po explorar
onde universos se dividem
e não há nada para escutar.

Sombras apenas?

No olhar, no sonhar.
Poetas perdidos
sem nada a declamar.

Poetas sobreviventes,
almas desconsoladas
ao som de uma guitarra.

Perdidos na sombra da copa,
mar que se agita em tevolta.

Poetas perdidos
em terreno desconhecido.

sábado, 18 de março de 2017

Corto em rasgos
a brisa que anteriormente se instalou
sem história, sem passado
tão pouco o persistente presente.

Corto em brasas ardentes,
desde outrora aos descendentes,
em pó ou dormentes,
em cacos ou empernes.

Corto memórias e desagrados,
futuros temerosos ou decadentes.

Corto da copa ou raiz
onde está o medo adjacente.






segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Marco os passos,
os pássaros entendem
a sombra persegue
e eu, altiva, grito
- Não levam o que é meu!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O vento rodopiou nas lendas,
trazendo a Velha da Égua,
encantamentos tão antigos
que as gentes ainda temem.

Roçam cavalos brancos
que levam o viajante incauto,
luzes misteriosas aparecem
enganando o crédulo.

Quando a lua atinge o auge
Corredores correm sete colinas,
sete pontes e montes,
sete encruzilhadas e portelas de cão,
fado sem razão.

Dizem que no velho mundo
o misterioso era sobranceiro,
em tempo de guerreiros
façanhas sobrehumanas
eram conseguidas em campanha
pela mão dos Deuses antigos.


Hoje arrojo um grito,
solto o infinito mesmo sabendo
que há teias em segredo
que sussurram em silêncio.

(foi ontem que foste?)

Hoje namoro o aroma do inverno,
pés quentes em tempo de espera,
não por ti que foste,
antes pelas Candeias,
soprarei de mansinho
quem mal venha.