domingo, 5 de fevereiro de 2017

O vento rodopiou nas lendas,
trazendo a Velha da Égua,
encantamentos tão antigos
que as gentes ainda temem.

Roçam cavalos brancos
que levam o viajante incauto,
luzes misteriosas aparecem
enganando o crédulo.

Quando a lua atinge o auge
Corredores correm sete colinas,
sete pontes e montes,
sete encruzilhadas e portelas de cão,
fado sem razão.

Dizem que no velho mundo
o misterioso era sobranceiro,
em tempo de guerreiros
façanhas sobrehumanas
eram conseguidas em campanha
pela mão dos Deuses antigos.


Hoje arrojo um grito,
solto o infinito mesmo sabendo
que há teias em segredo
que sussurram em silêncio.

(foi ontem que foste?)

Hoje namoro o aroma do inverno,
pés quentes em tempo de espera,
não por ti que foste,
antes pelas Candeias,
soprarei de mansinho
quem mal venha.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Queria que fosses
testemunha do meu crescimento
mas o vento levou-te
numa rajada sem apelo.
Resta-me a mão
vazia da tua ausência.


Ontem vivi em ti,
sangue quente,
vida ardente.
Pulsavas o sopro,
marcavas o solo
estendias conforto.
Acendi três velas,
três velas só para ti
queria-te forte
mesmo longe de mim.
Marco o passo,
sonho-te eterna
estás livre.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Dou-te o meu tempo
onde escondo um abraço,
onde afago o teu pelo.
Não estás, mas as paredes
guardam silenciosamente
os teus passos para o meu regaço.


(de onde nunca saíste)



sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Queria dar-te tudo,
a minha sombra,
a tela onde me reconheces,
a luz dos meus cabelos.

Não reconheceste o início
de todos os inícios.
Primordial.
Agreste.
Violento


Pensava que todas as rosas
preenchiam o teu jardim
canto do teu canto
aroma pueril.

Foste mais longe
não esperaste por mim,
dor da minha dor
flor do meu jardim

domingo, 15 de janeiro de 2017

Recolho a hora do dia. Gostava de te dizer que estou em paz mas carrego pesos que nem sei de onde vêm. Dou-te o meu olhar castanho. Tudo o que te posso dar. Voa por mim que ver-te-ei no céu azul.