sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Entrei em casa. Esta casa já não é a minha mas entrei. Tudo estava nos seus lugares, o sofá estafado, o escritório desarrumado, a cama por fazer. Reconheci tudo menos o silêncio. Não, esta já não é a minha casa, somente retalhos de vivências antigas. As de hoje, essas, estão perdidas num canto qualquer enquanto procuro a minha casa.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Levem tudo,
os velhos casacos nunca substituidos,
a cama ressequida de movimentos antigos,
as telas, histórias e pautas esquecidas.

Levem tudo, até a mim,
não regressei completa
perdi partes por aí.
Seja um fado, um hálito amargo,
um conhecimento desesperado,
sim! Levem-me. Ver-vos-ei no fim.



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Espero-te todos os dias
sabendo que és vento
na garganta de uma serra.
Ontem sonhei-te,
ou antes tivesse acontecido.
Tinhas a liberdade no olhar,
o sorriso das flores,
o calor do teu corpo.
Mas foste rasgada ao tempo,
adormeceste em mim.

(lembras-te da praia?)

O silêncio flutua
em todos cantos
marcando os teus passos,
frios como frios estão
os braços que te envolviam.

Agora falo de ti
como se longe estivesses
e eu numa espera que não vem.

(mas é onde estás)

Queria ter-te dado
palavras infinitas
mas não sou heroína,
tão pouco corajosa.

Dou-te um amor
mais longínquo-o
do que o horizonte,
tenho sonhos onde estamos
mesmo não os tendo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Enquanto atravesso o deserto
tu conheces o infinito,
torço as mãos em segredo
onde nos encontrámos viveremos.



quarta-feira, 21 de dezembro de 2016



                Boas festas a todos!



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Fumo um cigarro. A vida não é uma espera. Mas eu espero, espero o vazio que antecede a explosão. Tudo menos o corpo é eterno. As rochas resistem ao tempo, o tempo dos Deuses quase findou. Mas tudo é eterno, é preciso descobrir o caminho.