quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Contam-me histórias antigas
como se o ribeiro recuasse
à fonte do conhecimento primordial.
Não há tempo, não há advento,
requer-se o curso normal
esquecido em contratempos.
Passam nuvens baixas,
ergue-se o vento,
estão esquecidas as rosas
na jarra de cerâmica.
Quem não as alimentou?
Ergue-se o protesto,
perdeste o caminho reto
nas malhas da conquista.
Falas em solidão,
não antevejo uma solução,
sopra o vento Norte,
cai neve na serra erguida
paro em consternação.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Erguem-se bolhas de água transbordando o tanque
forrado de musgo viscoso molhando as folhas caídas
em terreno seco.
As vozes foram proferidas em dia invernoso
desvendando saberes tão antigos
quanto a natureza encerra.
Descansa o guerreiro num tronco de árvore
que tem mais de mil histórias para contar.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Esquecem-se os espinhos
guardados em segredo,
escondidos num novelo,
enredado nas suas histórias.

Perdi o medo, perdi a memória,
tenho ânsia de vento,
recebo aguarelas.

Quero ter-te,
dar-te em glória
as minhas imagens,
pequenas vitórias.

Tropeço em seixos,
sei-os lisos pelas águas,
molham as ondas,
canto glórias.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

                    A todos, umas boas-festas!


A voz foi rasgada num ímpio gesto
afogando os dedos bruscamente.
Diz a sabedoria, volta, é certo
esquecendo as horas no caminho.
Espinhoso é o silêncio que silencia.
Mais um passo, mais um dardo,
tarda o amanhecer.
Violam-se regras, quer-se alegria
mesmo temperada, é viva.
E escuta-se os pássaros no seu recolher,
amanhã é outro amanhecer.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pedem-me os dedos, dou a mão,
velozes os acontecimentos,
nada pode ter sido em vão.
Reguem-me as flores,
carreguem-me o caixão,
hei de vencer no mar
não importa a transformação.
Velozes os acontecimentos,
nada foi em vão.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

De verdades tão longínquas
acordo para as manhãs não proferidas
descobrindo que a seiva
foi sangrada lentamente
derramada pelo tronco das árvores
que tentam respirar.
Amanhã haverá novo corte
outras chorarão o seu fim
sem que o machado tenha perdão.