segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A voz foi rasgada num ímpio gesto
afogando os dedos bruscamente.
Diz a sabedoria, volta, é certo
esquecendo as horas no caminho.
Espinhoso é o silêncio que silencia.
Mais um passo, mais um dardo,
tarda o amanhecer.
Violam-se regras, quer-se alegria
mesmo temperada, é viva.
E escuta-se os pássaros no seu recolher,
amanhã é outro amanhecer.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pedem-me os dedos, dou a mão,
velozes os acontecimentos,
nada pode ter sido em vão.
Reguem-me as flores,
carreguem-me o caixão,
hei de vencer no mar
não importa a transformação.
Velozes os acontecimentos,
nada foi em vão.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

De verdades tão longínquas
acordo para as manhãs não proferidas
descobrindo que a seiva
foi sangrada lentamente
derramada pelo tronco das árvores
que tentam respirar.
Amanhã haverá novo corte
outras chorarão o seu fim
sem que o machado tenha perdão.




quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Foram poucas as flores que foram regadas,
greta a terra, secam as plantas,
perder-se tudo demais.
Não se as querem cerradas,
sejam cores espalhadas,
sejam prados virgens
de quem tem tanto a dar.
Hoje fugiram-me as palavras,
foram para essas terras bravias
correram e brincaram, fizeram fantasia.
Fiquei muda a contemplar
- nada mais havia a fazer
e pensei no lugar em que estava
cheia de harmonia, liberta e não contida.
As flores não se querem presas.



domingo, 29 de novembro de 2015

Passam os dedos de fininho
no caule de folhas bravias.
Haveria de ser sempre assim.

Pousam gaivotas,
há um mar que se revolta,
voa areia arrastada por rajadas.
Há um inverno que se avizinha.

Pousam prosas,
escreve-se na terra fria,
arrefecem as mãos,
continua-se, em teimosia.

Solta-se a música
liberta-se a paixão.
Há-de vir o dia.


sábado, 28 de novembro de 2015

Correm as ondas pela praia
enquanto o vento carrega fortemente
as imagens das águas:
- Náufragos de barcaças,
incautos nas travessias
caem marinheiros
cem mil vezes em vazio.
Gritos de desespero vindos da areia,
desespero pelo fim de vida,
sem que compreendam que a natureza
não pertence a ninguém. 


sexta-feira, 27 de novembro de 2015


Tanto tempo de favo,
tanta sementeira a colher,
tanto espaço para ser preenchido,
tanto silêncio indefinido.

Troco os Deuses do meu caminho,
quero compreensão, entendimento,
mostrem-me o caminho,
tanta sede de alimento.