sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sento-me na noite escura de candeia
acesa. O murmúrio dos animais nocturnos
são cantares antigos que me cantam
os sete mandamentos do guerreiro.
Falhei-os todos.
Afio a espada lentamente respirando
a brisa que canta o lamento dos medos antigos.
Hoje sou ouvido da noite e despido da armadura
que encerra a minha condição.
Raspo o tacho ainda quente
sabendo que o corpo é uma condição
tão ínfima na floresta que me cerca.
Sopro a consciência abarcando cada árvore
escondida no negrume que me cerca.
Estou vivo, sou vivo, sou
a alma da clareira.




Ode aos ivros

Tenho um mar de letras,
palavras e histórias pela noite,
tenho comigo a fonte,
tenho contos e narrativas,
tenho livros,
memórias confundidas com a vida,
caminhos que nunca se abririam
se os meus olhos ávidos não os perseguissem.
Noites imortais, o mistério de todas as coisas
tenho passado, presente e um futuro persistente,
tenho tudo na minha mente.



Paixão a três notas

Desperto os dedos em lenta melodia
percorrendo cordas e acordes
acendendo paixões, aquecendo melancolias.
A música desperta sentidos, abraça afagos,
pede carinho e beijos sortidos,
pede palavras e acasos.
Deixo-a perdurar, alongo-a até extravasar,
quer-se vida, quer-se amar.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Lentamente, como se todos os passos
fossem cuidadosamente estudados,
largo cada gesto, cada espaço,
desprendo-me ao acaso,
liberto-me sabendo então
que um dia há-de ser
um espaço dourado a conquistar.
Esqueço as mãos,
as nervuras de todo o corpo,
a verdadeira ascensão provém
da alma intocável
e eu quero ser pássaro.





terça-feira, 1 de setembro de 2015

Pátria

Ontem, tão nova,
hoje grassa a erva proclamada,
no meu país de alma desamparada.
Penso alto, penso estagnada,
quero acreditar
pátria amada,
tenho ventos, tenho desertos
traições que não concerto.
Olho distante,
raízes já distantes,
quero tudo, tenho nada.
Olho ao alto,
país de difícil desenvolto,
não sei por onde procure,
quero ser, quero pertencer,
dá-me o acontecer.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Solto a gárgula da parede
liberto Deuses e Deusas,
danço loucamente no pátio,
espalho palavras ao acaso,
e grito, sei-me livre,
tenho apenas acasos,
onde me sinto, onde ajo
onde sou e contraceno,
tenho personagens no ato,
tenho tetos e abraços,
tenho nada, tenho pedaços.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Solto as asas como se o vento
fosse a extensão da minha vida,
toco nos anéis de sol que marcam
o caminho dos peregrinos e sei-me
una com a terra que tudo germina.