quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Folhas das árvores, por quem chamais?
Volve-me lágrimas o silêncio com que retornais,
procuro a seara certa onde a semente desafronta
e de uma só voz se levanta enfrentando
a terra seca e dura.




Crescem as manhãs descolorindo as pétalas,
rega-as um intenso sol alheio
desmentindo fendas, calcinando sulcos,
expandindo raios onde não existiam,
sempre sorrindo, sempre sorrindo.
Voam sopros de terras,
agitam-se águas estagnadas
estalam ramos, movimentam-se bandos,
chegam sombras, cobrem-nos como mantos,
vergam girassóis, escondem campos,
estreito os olhos, apelo ao descanso,
espero a noite, ausência de anseios.


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Falavas-me de amor e estou cinzel  
perdida num campo deserto
esculpido pelo vento do tempo.
Sei que estou perdida em guerra infindável
sem que conheça as armas,
sem condições de as depor.
Mas ouço o cântico perdido
do mar em noites de verão
onde escuto o teu chamamento
ecos de longa paixão.
E tento despir este ser incómodo
esta dor de permeio, este estado de agitação,
a manhã tem de ser nossa,
as tréguas, a ressurreição. 





sexta-feira, 17 de julho de 2015

O sol já não tarda
na noite fria que o verão compôs.
Fossem todas as sombras e clareiras
margens de um rio sinuoso
prenhe de vida para lá fronteira
descê-lo-ia numa jangada,
tronco com tronco amarrado,
pertences de um qualquer passado
que ainda o tenha de usar.
Despojar-me-ia do meu nome,
segurar-me-ia ao cordame
e agradeceria aos Deuses
a liberdade de voltar.




quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sabes,
às vezes o cansaço é tanto
que mergulho em pautas melódicas
só para me lembrar
do suave toque dos teus dedos
para me anoiteceres.




quinta-feira, 2 de julho de 2015



Abre-se o jogo,
fecha-se o cerco,
espalham-se os animais,
atira-se às feras.

Não falhar, não tombar
deixar de ser o circo,
acabar, derrubar,
lutar em nome dum deus sisudo. 


domingo, 28 de junho de 2015



É de cor incerta
que te escrevo estas palavras
ecos em paredes por preencher,
no tempo perdido
onde não sei onde me encontrei.
Como talvez agora
na incerteza das folhas onde te procurei.
O quanto te amei.