sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Ao meu filho

Uma pessoa muito especial de quem tenho tantas saudades



 


sábado, 13 de setembro de 2014


[Almada Negreiros]





Tentei ver-te no céu. Talvez por culpa das nuvens ou por o teres abandonado, fiquei na noite densa, dessas onde todos os nossos segredos são revelados em instantes inquietos. Ridículas palavras estas, a lamentar o que não tenho nem devo nem posso. Sou uma mulher, não sou? Nestes enredos de palavras porque não sei falar, abandonei-me num rio qualquer que desaguava por ali. Secamente. Procuro-me? Que doidice, tão gerada onde o nada resigna-se. Cuspo tolices, entrego-me ao acaso, venham espadas, venham floris, estou desguardada.





sexta-feira, 12 de setembro de 2014



[Paula Rego]



Ouve os sons na ausência da percepção.
Será o teu corpo o palco de todas as tentativas,
destruirão o resto do tempo arrastado,
pétalas do teu cabelo cairão entre os dedos.
Queres descansar desistir  flutuar.
Silhueta desgastada e esgotada.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014





Cai o pó que encobre o espírito,
abrem os olhos em fome devoradora,
solto, plano, integro-me, doces estrelas onde me reflicto,
abraço eterno no mistério do espírito.
Sou pássaro, sou voo,
quero resgatar o eterno.


domingo, 3 de agosto de 2014








Recorda-me a tua cara para que saiba sorrir,
és um pássaro, um cantar distante?
És a minha alma expandida onde não te encontro,
as minhas mãos que te escrevem,
a solidão da estação,
o propósito das noites quentes.

Sentes-me? Sinto-te?
Um longo frio da distante ravina,
amealhar de vazios em olhos dormentes,
colecção de ausências da minha tristeza,
onde estás desde que te afastaste?

Sim, choro em violência reprimida,
continuamente pela sombra desaparecida,
o calor derretido em brasas quentes.

Foste. Foste e não posso quebrar o tempo como o enredo.
Sento-me desamparada em braços da montanha,
engolida por cavernas de desertos longínquos.