quinta-feira, 14 de março de 2019

Sim, enquanto sussurro-te, 
enquanto encosto os meus lábios suavemente no teu pescoço 
ouço-os a conspurcar
todos os nossos gestos,
- Beijavam-se desenfreadas
aquelas cabras com o cio. Putas!
Toco-te com gentileza, 
tenho medo que desapareças 
no meio de tanto ódio,
tenho medo do medo que tens.
Dizem, sois livres,
tendes o vosso arco-íris,
a vossa bandeira, 
o casamento.
Não amor, dá-me a mão, 
não chores, 
não, 
não passearemos de mão dada pela rua 
nem apregoarás a nossa união.
Não teremos filhos mas caminharemos
nas vielas secretas de todas as cidades
onde te poderei beijar, respirar e estar. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O silêncio do silêncio

A escuridão dissolve as paredes brancas
há silêncio no silêncio
onde as minhas mãos anseiam a ausência de gestos rotineiros.
Encosto-me e deixo-me deslizar até ao chão frio,
abandonando a pressão quotidiana.
Não quero vozes que me interrompam,
nem memórias de gente a rodear-me.
Somente o silêncio do silêncio onde me construo e sou.

As palavras surgem e desejo embebê-las,
o espaço criado,
a imaginação solta,
os mundos a descobrir que transmutam os meus passos.
cores e sons inscrevem-se
e perco-me no imaginário dos universos paralelos
que coexistem connosco
reflectindo a nossa imagem desdobrada.

in "A fadiga das ondas", Teresa Durães

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Novos livros


Lancei dois novos livros em formato digital em duas plataformas. Na realidade, de momento desisti das editoras que não promovem o autor. Por isso, vou tentar a sorte!


“O encantamento do vento”
Teresa Durães, 2019
Fantasia. 
Preço: 2,99 euros

Uma viagem pela mitologia e lendas portuguesas.
"-Conheces a lenda do Corredor? – perguntou Gutio, de repente.
Olhei-o admirada.
- Não.
- Dizem os antigos que quando uma família tem sete filhos ou sete filhas, o mais velho tem de correr o seu fado."




“O outro lado do silêncio”, 
Teresa Durães, 2019
Romance. 
Preço: 2,99 euros

“Ela tem um bar de alterne. E variações de humor como um doente bipolar mas não sabe disso. Vive consoante o seu estado de espírito, euforia, mania, queda e depressão. O Secretário de Estado, ou ex., tem uma atracção por ela. Ela prefere mulheres mas não deixa de cair no fascínio dele. Os dois, quando juntos, vão vivendo a noite e as suas vicissitudes. Entre o mundo e o silêncio ela vai conhecendo diversas mulheres e maneiras de estar na vida.”

Podem encontrá-los

Em formato .epub  em Kobo.com:

Em formato Kindle na amazon.com:

Em .pdf:
Na minha página:
http://terduraesbeco.wixsite.com/teresaduraes
ou enviem-me um email para teresa.s.duraes@gmail.com

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Rodo em torno de mim
- Tenho esta oportunidade,
serei seiva, folha caule,
não retornarei.

domingo, 18 de novembro de 2018

Criança-mulher,
passos imprecisos,
caminhos tão mal definidos
e no regaço, um mar de folhas caídas.

Foi o espaço, o tempo calado,
as palavras vãs escutadas
e todos os absurdos espalhados,
os anos dos esforços inúteis.

Envelhece a alma, mata o corpo,
consome a mente, é-se morto.
Ecos ecos ecos
grita a alma, termina o tormento.

Acabou o jogo?
Grito de agonia,
rendem-se as mãos,
é o início da loucura,
o começo do fim de tudo
onde os deuses observam
e o fado ri, por fim.

Escorro o tempo pelas notas musicais
que atravessam as memórias
indiferentes às marcas cravadas
nas pedras que me rodeiam.

Fui em tempos criança
num corpo crescido,
alheia às estações,
absorta nas folhas caídas.

Hoje não tenho aquela casa,
tão pouco as paredes caiadas,
jardim sem ervas,
espaço sem espaço.

Escorrem lágrimas sem água,
a dor que se dilui nos degraus toscos
da casa que não voltarei,
onde não estarás de novo,
agora para sempre.

sábado, 10 de novembro de 2018

Cansada


"Estou cansada,
cansada das imagens enroladas nas teias,
dos padrões interrompidos e corrompidos.
Das ruas escuras,
da fadiga das ondas sobre as rochas,
do passo à frente sem chão definido.

Onde estão os aromas a manhã,
vivos e arrojados,
relembrando que as árvores são sementes resistentes,
que a luz irrompe da negrura do espaço vazio?

Um toque,
uma valsa,
um desígnio.
Espaço preenchido pela mão cheia.
Letras dançantes cantando histórias.

Essas, as que pressentimos"

in "A fadiga das ondas", Teresa Durães

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Para ti, L.



"Sei que o sonho que tive era mais do que uma mera ilusão - tu estavas lá, à minha espera, como sempres estás. Nas minhas mãos, flores silvestres para te dar. Sempre foste contra as flores aprisionadas num jardim bem cuidado, não passam de mero adorno, sem alma presente.
Como sempre, fiquei calada ao teu lado, respirando apenas o teu odor (tão próprio) que me faz e traz todas as lembranças de nós. Das palavras que te queria dizer, nenhuma saiu. Ficaram envoltas na minha mortalidade tão aquém do tempo que te amo. Limitamo-nos a estar juntos onde fluíam todas as emoções. Juntei pedacinhos de paus, pedrinhas pequenas só para refrear o que te queria dizer. Não sei porque sou assim, sem verbos nem melodias, mãos encolhidas e receios tão antigos. Tu vais muito mais além, a tua sabedoria ainda me inquieta como se eu fosse tão frágil para necessitar sempre do teu amparo. 
Trago-te comigo em todas as viagens do quotidiano, na vela que acendo para que saibas o caminho até mim, no bosque onde nos vemos todas as noites. Nas pedras gigantes onde adormeço nos teus olhos.
Há tantos anos que nos amamos, quantos ainda temos para amar. Envio-te um beijo numa folha perdida. Será mais um recomeço da minha entrega.

Teresa Durães"


in "Três quartos de um amor", Chiado Editora

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Cai a primeira chuva
varrendo da memória
os dias soalheiros.

Talvez encontre
o meu primeiro abraço
repleto de folhas caídas
entre raízes estendidas.

Talvez o primeiro beijo
entre luz oblíqua,
enquanto a chuva espera
e a floresta escuta.

Talvez amanhã seja o dia
onde mãos se conheçam
e reconheçam as carícias.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Vence a dor sobre o corpo,
dobra a coluna em sofrimento,
pede a alma discernimento,
alcança pouca paz em consentimento.

Dias que passam,
ventos que sopram,
corre a água,
nada volta.

Fragilidade na brisa,
marés indevidas
Rasga a pele, o osso, a carne,
rasga o sopro da vida.
Rasga prados de flores,
mantém tronco erguido.

sábado, 1 de setembro de 2018

Acendi uma vela
dizendo-te adeus:
outrora rir-te-ias de mim,
desprezarias rituais,
a minha ligação ao mundo.

Outrora estarias aqui,
conversarias sobre tudo,
descreverias espaços onde nunca fui.

Hoje és uma lembrança
que ainda dói.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Estendo-te a minha mão
pela última vez:
é a tua última partida
e já choro por ti.


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Pousavas a voz num galho
enquanto aninhava no calor
da tua curta distância.
Éramos o vento, o entrelaçar
das folhas viçosas da primavera,
a paz do chilrear dos pássaros.

Hoje preciso de novo te procurar
entre caminhos mal desenhados,
espaços antigos de magia
onde nos víamos e amávamos,
onde éramos espaço consagrado.



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Procurei-te mas não te sei,
abandonei-te em estranhas paragens
que de mim não fez nada.
Diz-me onde estás
que de estrada farei a minha passagem
Diz-me apenas, que continuo a tua amada.


Voaram pássaros na minha janela
despedindo-se da paisagem conhecida.
Chegou a hora da ida,
larguem ninhos, libertem raízes,
soltem flores em campos floridos,
chamem as vozes das despedidas
que o meu corpo se vai por fim
gritando apelos de vida
encontrando enigmas
mas sempre mergulhando em sucalcos erguidos

sábado, 4 de agosto de 2018

Veio de novo um eco antigo
como se solucionasse
todos os sonhos perdidos.



Caiu a pedra no charco negro,
fugiram as rãs com medo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Cobre a sombra os braços
que tentam ter em suas mãos
as madrugadas veranis
onde são retidas todas as conchas
que trazem histórias de marinheiros perdidos.

Ergue-se a voz, fala o profeta,
naus foram lançadas,
pede-se a coragem.

Ergue-se a voz, tenho areia retida,
passado conquistado, maresia.
Tenho sonhos antigos, tenho a brisa.


segunda-feira, 23 de julho de 2018

Tocando em uníssono,
enquanto a brisa nos lembra
a distância entre o teu verbo,
onde estás? Frase esquecida.

Dizem os Deuses,
a fonte foi erguida,
venha o sal,
a boca dorida.

Dizem os Deuses,
o destino foi cumprido.

Rolem pedras, cumprem promessas,
esta é a Era.

De tanto te querer
Libertei as asas
Perdi penas
Alcancei-te
Amei