segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Marco os passos,
os pássaros entendem
a sombra persegue
e eu, altiva, grito
- Não levam o que é meu!
Solto um grito,
não é o primeiro
mas é primodial.

(Nem todos os gritos
são infinitos)

Mas gritei,
apurei a voz
libertei-me.

(O que seria de um grito
se não fosse isso)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O vento rodopiou nas lendas,
trazendo a Velha da Égua,
encantamentos tão antigos
que as gentes ainda temem.

Roçam cavalos brancos
que levam o viajante incauto,
luzes misteriosas aparecem
enganando o crédulo.

Quando a lua atinge o auge
Corredores correm sete colinas,
sete pontes e montes,
sete encruzilhadas e portelas de cão,
fado sem razão.

Dizem que no velho mundo
o misterioso era sobranceiro,
em tempo de guerreiros
façanhas sobrehumanas
eram conseguidas em campanha
pela mão dos Deuses antigos.


Hoje arrojo um grito,
solto o infinito mesmo sabendo
que há teias em segredo
que sussurram em silêncio.

(foi ontem que foste?)

Hoje namoro o aroma do inverno,
pés quentes em tempo de espera,
não por ti que foste,
antes pelas Candeias,
soprarei de mansinho
quem mal venha.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Queria que fosses
testemunha do meu crescimento
mas o vento levou-te
numa rajada sem apelo.
Resta-me a mão
vazia da tua ausência.


Ontem vivi em ti,
sangue quente,
vida ardente.
Pulsavas o sopro,
marcavas o solo
estendias conforto.
Acendi três velas,
três velas só para ti
queria-te forte
mesmo longe de mim.
Marco o passo,
sonho-te eterna
estás livre.